9 de set. de 2011

Golpismo: O retorno do "Brasil: Ame-o ou deixe-o"?

A mídia é golpista e pronto.

O que não faltam são ataques feitos à mídia pelos "progressistas".

Não que esta não tenha uma agenda política clara, distante dos interesses populares e dos movimentos sociais. Isto é um fato.

Os interesses são empresariais, são até estrangeiros. Mas há uma distância enorme entre criticar os atos da mídia e mesmo daqueles por ela manipulados (a manipulação pura, como se fôssemos todos imbecis, ja foi desmentida por acadêmicos da área da comunicação, vale lembrar) e alertar, com fervor fingido, para um possível golpe aos modos de 1964.

É conversa para boi dormir e tentativa de escapar de seus erros e obrigações.

Ressurreição da marcha da família, como alguns estão chamando a Marcha Contra a Corrupção (ou marchas), é terrorismo pra tentar bater no terrorismo da mídia. Ambos são imbecis. Nós, a esquerda, temos MUITO mais a oferecer do que ficar criando teorias fantasiosas ou lambendo botas desse governo.

E muitos progressistas usam e abusam dos mesmos métodos sujos da mídia para esconder lutas populares, como a greve dos Institutos Federais ou os protestos contra Belo Monte.

Na verdade, adotam o mesmo modus operandi que usaram para a Marcha Contra a Corrupção, dizendo que os que protestam contra Belo Monte são pagos pela USAID, pelos EUA e etc, afirmando ainda que a OEA é vendida, não é confiável (mas curiosametne aplaudem ou se calam quando Dirceu diz que recorrerá contra a Veja na mesma OEA, mas aí a organização é boazinha)!

Qual a diferença desse comportamento para o da mídia chamada de golpista?

E mais, o "golpismo" contido no termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) é usado de forma livre, ampla e irrestrita pelos "progressistas" quando, na minha concepção, o golpismo não é a tentativa de derrubar governos, e sim o golpismo que existe contra o povo, contra a verdade e a democracia.

Há uma personalização por parte dos governistas e petistas absurda! Se há golpismo, tem que ser contra o governo! Coloca-se o governo como ultima salvação da humanidade, esquecendo que os reais atingidos pelo golpismo midiático são o povo e a democracia, e que o governo nada mais é - ou deveria ser - representação do povo e não a personificação, enquanto farsa, deste.

Não há "golpe" preparado contra o governo, o que existe é um golpismo diário contra o povo, contra a verdade. E cada vez mais a dita esquerda emula este modelo, tornando-o ainda pior. Tenta não apenas criticar/depender da mídia, mas ser a mídia, o que está certo, porém acabam copiando também aquilo que ela tem de pior.

O duplipensar governista e o ódio cego à mídia chegam ao ponto de criar distorções como no post "Folha ‘atacou’ Alckmin para simular ‘isenção’":
Sim, você leu direito: enfim algum grande meio de comunicação publicou uma “denúncia” contra um tucano. Na verdade, o que é mais surpreendente é que a “denúncia” cita familiares do governador Geraldo Alckmin, o que, até então, pensava-se ser regalia exclusiva de petistas. E, para completar, foi parar na primeira página (!?) da Folha de São Paulo.
O post do Eduardo Guimarães, ou ao menos a parte que trata deste terrível problema, da mídia criticar o Alckmin, mas isto não ser suficiente, resume-se a este parágrafo. O responsável pelo blog depois prefere falar no Dirceu e não dar maiores explicações.

Mas vários outros blogueiros seguiram pelo mesmo caminho. Com maior ou menor intensidade. Mas o ponto em comum foi o alarmismo inconsequente e deslocado.

No fim a mídia acaba tendo mais peso e influência do que sequer pensava em ter graças ao ibope desmedido dado por alguns blogueiros e, por outro lado, há um imenso desgaste devido à tentativa do governismo de impor sua agenda à militantes e não-militantes de sua causa na base do "custe o que custar".

Seguiu-se um "diálogo" - ou tentativa da minha parte ao menos - entre mim e o blogueiro Eduardo Guimarães:

Eu:
Vejamos se eu entendi:
A mídia ataca o PT = vendida, golpista, salafrária, etc, etc e etc.
A midia ataca o Alckmin = vendida, golpista, salafrária, etc, etc e etc porque o ataque é uma farsa?
Ou seja, ela erra se ataca, erra se não ataca, erra se ataca qualquer um?
Fala sério!
Eduardo:
Sempre defendendo a imprensa golpista. Faz de conta que não percebe que para dez mil matérias contra o PT eles publicam uma única contra o PSDB, fraca e que não tem sequência. Por isso que chamos vocês do PSOL de militontos. Bando de hipócritas. Só servem para isso mesmo, como massa de manobra da imprensa que impôs ao Brasil vinte anos de ditadura. Por isso ninguém da bola para vocês.
Eu:
Pois é, a mídia é boba e feia e quer dar um golpe em quem vem garantindo os maiores lucros da história para seus aliados…
Discordar de alguns argumentos contra a mídia significa apoiar a mídia? engraçado….
Eduardo:
Vocês do Cansei me deixam cansado
Eu:
Vc consegue apresentar algum argumento ao invés de atacar com baixarias que SABE serem falsas?
A reclamação constante é que a mídia só ataca o Pt, mas quando ataca o PSDB vc diz que é ataque falso? Quando será suficiente? Ou nunca será, já que fingir que há algum golpe em curso é bom para mascarar um péssimo governo e suas ações desastrosas?
Em resumo, discordar do governo ou aventar que a mídia pode ter acertado te transforma automaticamente em direitista, em membro do Cansei ou até pior. E sempre sobra pro PSOL!

Eu ainda tento entender como funciona o raciocínio: Vejamos, a mídia é golpista porque ataca o governo e esconde a podridão da oposição (ainda que tenha sido a mídia a denunciar o Mensalão do DEM, mas sigamos adiante), mas ela também é golpista, escroque e terrível porque denunciar o Alckmin (oposição ao governo do PT) porque... porque... porque mesmo?

Ah, porque estampar denúncia contra o Alckmin na capa do jornal é diferente de fazer o mesmo com qualquer um do PT? Do mensalão do DEM, denunciado pela mídia ninguém lembre. A mídia, por pior que seja, ainda tem um papel que, graças ao trabalho de porco de muitos governistas, se torna mais claro: O de gritar na mesma intensidade que os fanáticos do outro lado, do que os radicais cegos. São opostos completos, mas ambos em uma realidade paralela.

Me corrijam se eu estiver errado, mas o clima de "Brasil (o do PT): Ame-o ou deixe-o" voltou para ficar?
 
Fonte:http://www.tsavkko.com.br/2011/09/golpismo-o-retorno-do-brasil-ame-o-ou.html
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O OUTRO 11 DE SETEMBRO

Em 11 de setembro de 73, a mais sólida democracia da América do sul sofreu um atentado que deixou uns 30 mil mortos no seu rasto. O Chile foi vítima de um golpe militar, perpetrado pelas três Forças Armadas, com o objetivo de quebrar a esperança de se construir um país socialista pela via eleitoral
Salvador Allende, após três derrotas, venceu as eleições presidenciais em 1970. O imperialismo americano não podia permitir que a “via chilena para o socialismo” vingasse e fosse um exemplo para a América Latina. Por isso, junto com a burguesia chilena conspirou e chamou os militares para acabar com aquela experiência. Allende foi derrubado. O Palácio de la Moneda, assim como várias fábricas onde estavam trabalhadores dispostos a resistir, foram bombardeados.
Com o golpe, dezenas de milhares de pessoas foram presas, torturadas e exiladas. Se calcula que de 10 a 30 mil foram assassinados ou se tornaram os famosos desaparecidos, vitimas da ditadura do general Pinochet. A esquerda foi quebrada
Com isso os Estados Unidos puderam dirigir tranqüilamente a economia chilena, sem freios. O Chile foi o primeiro país do mundo onde se implantou o projeto neoliberal. Os famosos Chicago Boys, os defensores da doutrina neoliberal, liderados pelo economista Milton Friedman ali testaram os resultados dos planos neoliberais. 
  
Tudo isso exigiu um atentado terrorista contra a esquerda e o povo chileno que custou 30 mil mortos. Dez vezes mais do que o número de mortos no atentado em Nova Iorque em 2001, quando caíram as duas Torres Gêmeas e que, com razão, comoveu o mundo.

 Fonte: AQUI

 O ÚLTIMO DISCURSO DE SALVADOR ALLENDE


"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."

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22 de ago. de 2011

Apresentação e Carta de Princípios do Coletivo Anarquista Bandeira Negra

Coletivo Bandeira Negra - Nossa concepção organizativa do anarquismo

Todos os membros e interessados em integrar o coletivo devem concordar, defender e aplicar esta concepção de anarquismo, que consideramos o mínimo necessário para o início dos trabalhos conjuntos. O anarquismo defendido pelo grupo vincula-se à proposta do anarquismo especifista do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), composto por diversas organizações pelo Brasil, dentre elas a Federação Anarquista Gaúcha e a Federação Anarquista do Rio de Janeiro. Esse anarquismo é compreendido a partir dos princípios políticos e ideológicos e pela sua estratégia geral colocados a seguir.
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Princípios políticos e ideológicos
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a) Do anarquismo como ideologia e, assim, como um sistema de idéias, motivações e aspirações que possuem necessariamente uma conexão com a ação no sentido de transformação social, a prática política.
b) De um anarquismo em permanente contato com a luta de classes dos movimentos populares de nosso tempo e funcionando como ferramenta de luta e não como pura filosofia ou em pequenos grupos isolados e sectários.
c) De um conceito de classe que inclui todas as parcelas de explorados, dominados e oprimidos da nossa sociedade.
d) Da necessidade do anarquismo retomar seu protagonismo social e de buscar os melhores espaços de trabalho.
e) Da revolução social e do socialismo libertário como objetivos de longo prazo.
f) Da organização como algo indispensável e contrária ao individualismo e ao espontaneísmo.
g) Da organização específica anarquista como fator imprescindível para a atuação nas mais diversas manifestações da luta de classes. Ou seja, a separação entre os níveis político (da organização específica anarquista) e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.).
h) Da organização anarquista como uma organização de minoria ativa, diferindo-se esta da vanguarda autoritária por não se considerar superior às organizações do nível social. O nível político é complementar ao nível social e vice-versa.
i) De que a principal atividade da organização anarquista é o trabalho/inserção social em meio às manifestações de luta do povo.
j) De que a ética é um pilar fundamental da organização anarquista e que ela norteia toda a sua prática.
k) Da necessidade de propaganda e de ela ter de ser realizada nos terrenos mais férteis ao desenvolvimento do anarquismo.
l) Da organização funcionando com distintos níveis de participação/comprometimento, dando corpo a uma forma de organização em que o compromisso está diretamente associado com o poder de deliberação. Da mesma maneira, uma organização que proporcione uma interação eficiente com os movimentos populares.
m) De que a organização deve possuir critérios claros de entrada e posições bem determinadas para todos que queiram ajudar (níveis de apoio/colaborador).
n) Da autogestão e do federalismo para a tomada de decisões e articulações necessárias, utilizando a democracia direta.
o) A busca permanente do consenso, mas, não sendo possível, a adoção da votação como método decisório.
p) Do trabalho com unidade teórica, ideológica e programática (estratégica/de ação). A organização constrói coletivamente uma linha teórica e ideológica e da mesma forma determina e segue com rigor os caminhos definidos, todos remando o barco no mesmo sentido, rumo aos objetivos estabelecidos.
q) Do compromisso militante e da responsabilidade coletiva. Uma organização com membros responsáveis, que não é complacente com a falta de compromisso e a irresponsabilidade. Da mesma forma, a defesa de um modelo em que os militantes sejam responsáveis pela organização, assim como a organização seja responsável pelos militantes.
r) Os militantes que compõem a organização têm, necessariamente, de estar inseridos em um trabalho social, bem como se ocupar de atividades internas da organização (secretarias, etc.). [*]
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[*] Durante o processo organizativo os membros que ainda não tiverem realizando trabalho social devem buscar realizá-lo discutindo coletivamente os espaços possíveis/desejáveis.
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Estratégia geral
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A estratégia geral do anarquismo que defendemos baseia-se nos movimentos populares, em sua organização, acúmulo de força, e na aplicação de formas de luta avançada, visando chegar à revolução e ao socialismo libertário. Processo este que se dá conjuntamente com a organização específica anarquista que, funcionando como fermento/motor, atua junto aos movimentos populares e promove as condições de transformação. Estes dois níveis (dos movimentos populares e da organização anarquista) podem ainda ser complementados por um terceiro, o da tendência, que agrega um setor afim dos movimentos populares.
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Essa estratégia, portanto, tem por objetivo criar e participar de movimentos populares, defendendo determinadas concepções metodológicas e programáticas em seu seio, de forma que possam apontar para um objetivo de longo prazo, que se consolida na construção da nova sociedade.
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Construindo um Grupo Anarquista Organizado (GAO)
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O grupo anarquista organizado é a semente da organização anarquista. Propomos um caminho para iniciar um grupo anarquista organizado (GAO):
Divisão de tarefas básicas: os trabalhos internos regulares devem ser divididos entre os militantes. Isso evita que alguns fiquem sobrecarregados e outros com poucas tarefas, tornando a participação mais horizontal. Sugerimos algumas funções para o grupo:
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a) companheiro de organização: encarregado de relatar os acordos e decisões das reuniões, repassá-los aos demais, montar um calendário, convocar as reuniões, organizar os materiais internos do grupo;
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b) companheiro de propaganda: encarregado de pensar e propor políticas de comunicação e materiais de propaganda do grupo. Ex: boletim, site, panfletos;
c) companheiro de finanças: faz a tesouraria do grupo, arrecada as contribuições periódicas dos militantes, pensa formas de arrecadar grana e estrutura para o grupo;
d) companheiro de relações: cuida das cartas, caixa postal, e-mails, conversas com outros grupos anarquistas, de esquerda e/ou movimentos populares;
e) companheiro de formação política: encarregado do debate de formação interno do grupo, levanta temas, pesquisa e separa materiais, procura cursos, ajuda os demais em sua formação política, etc;
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Esta divisão não é rígida. O companheiro de propaganda coordena o boletim, por exemplo, mas nada impede que os demais dêem idéias, escrevam, ajudem, etc. O mesmo vale para as demais funções.
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Reunião: é fundamental que sejam regulares, pois é a única forma do grupo debater e planejar suas ações coletivamente.
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Comunicação do grupo: abrir uma caixa postal para correspondência, um e-mail e site para internet e publicar um boletim, permitindo que o grupo seja conhecido pelas pessoas.
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Método decisório: é a busca do consenso, com todos participando de forma igualitária do debate. Quando não se chegar ao consenso e a questão exigir decisão, vota-se o ponto e o grupo todo acata o que foi decidido. A posição minoritária e sua argumentação deverão constar em ata para avaliação posterior.
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Tarefas básicas de cada militante: uma função interna (organização, finanças, propaganda, relações e formação política); uma militância externa social em alguma frente; participar das reuniões e contribuir com o grupo.
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Propostas para o desenvolvimento dos trabalhos organizativos do Coletivo Anarquista Bandeira Negra:
  • Partindo de um critério mais qualitativo do que quantitativo, aproximar pessoas que possam aprofundar as discussões e constituir uma base sólida do coletivo.
  • Reunir, dentro deste critério, as pessoas interessadas no projeto para impulsionar o processo de organização.
  • Começar as atividades em dois eixos fundamentais:
  • Formação política.
  • Coordenação de trabalhos práticos.
  • Formação política: iniciaremos com o Curso de Formação Anarquista do FAO, que aborda os módulos “Formação da corrente libertária”, “História Social do Anarquismo”, “Teoria da Organização Política”, “Via estratégica e Poder Popular” e “Marco teórico e categorias de análise”. Após essa formação inicial, utilizaremos o programa de formação da FARJ/OASL, começando pelos módulos V e VI (Modelos de Organização Anarquista – Sintetismo e Especifismo), compreendendo as diferentes concepções de organização anarquista e aprofundando nossa proposta. Depois passaremos para o módulo VII (Trabalho e Inserção Social) para compreendermos o que é trabalho social, inserção social e como podemos potencializar nossos esforços nesse sentido. Importante apontar que paralelamente a este processo os militantes necessitarão investir também na sua auto-formação, com apoio dos companheiros do coletivo.
  • Coordenação de trabalhos práticos: verificar qual a militância e as afinidades de cada membro do grupo. A partir disso estabelecer aos poucos o que seriam as funções internas (organização, propaganda, relações, etc.) e quem ficaria responsável por elas, e as funções externas (trabalho/inserção social). A sugestão é que, no início, cada um ocupasse a função interna que tem mais facilidade e que se colocasse em discussão todos os espaços em que a militância do coletivo está atuando ou mesmo que tem condições de atuar. Diferenciar movimentos populares (movimentos sociais, sindicatos, etc.) de coletivos e outros grupos. O ideal é que já no curto prazo se consiga ajustar uma função interna e uma função externa para cada militante, e que se possa também começar a discutir uma atuação organizada nos setores que forem escolhidos como espaços de intervenção do grupo. Verificar, além do trabalho social, quais outros trabalhos poderão ser empreendidos pela militância.
  • Atividades públicas: organizar eventos para dar expressão ao coletivo e agregar gente ao processo. Além dessas atividades, estruturar um Grupo de Estudos do Anarquismo, de caráter aberto ao público interessado.
  • Aproximação com o FAO: pedir uma aproximação formal com o FAO e manter contato principalmente com as organizações do Sul, especialmente a de Joinville.
  • Participação na reunião do FAO de 10 anos, em 2012, integrando-o como um grupo ou organização constituída.
  • Participar do Ato do 55º Aniversário da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), no final de Outubro, em Montevidéu.
Sugestão de prazos
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Atividades de formação e coordenação dos trabalhos: 2 meses.
Pedido de aproximação ao FAO: após a constituição do grupo.
Maturação e fundação da organização: avaliar durante o processo, colocando como meta um período de 8 a 10 meses.
Contato:

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Negras tormentas agitan los aires,
nubes oscuras nos impiden ver,
aunque nos espere el dolor y la muerte,
contra el enemigo nos llama el deber.
El bien más preciado es la libertad.
hay que defenderla con fe y valor.
Alza la bandera revolucionaria,
que del triunfo sin cesar nos lleva en pos.
Alza la bandera revolucionaria,
que del triunfo sin cesar nos lleva en pos.
¡En pie pueblo obrero, a la batalla!
¡Hay que derrocar a la reacción!
¡A las barricadas! ¡A las barricadas
por el triunfo de la Confederación!
¡A las barricadas! ¡A las barricadas
por el triunfo de la Confederación!

1 de ago. de 2011

Como se organizar no PCB?

O Partido Comunista Brasileiro é o partido de maior longevidade em nosso país. Foi fundado em 25 de março de 1922, em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, por um grupo de trabalhadores animados com a vitória dos operários e camponeses na Revolução Bolchevique de 1917, na Rússia.
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O PCB nada tem a ver com os partidos institucionais mantidos pela legislação burguesa, os partidos da ordem, cujos maiores representantes hoje são o PT, o PSDB, o PMDB, o DEM, etc, cujas divergências entre eles resumem-se a diferentes formas de gerenciar e fazer aprofundar o capitalismo em nosso país. Nosso partido, apesar de participar da vida política institucional, pois enxerga como fundamental aproveitar o espaço conquistado pelas lutas democráticas no país (liberdade de organização, participação nas eleições, uso do tempo de televisão, fundo partidário, etc), não vê este espaço como um fim em si mesmo (como hoje fazem partidos que outrora foram de esquerda, como o PC do B), mas um meio para difundir as ideias e o programa comunista e avançar na organização da classe trabalhadora visando construir a revolução socialista no país.
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Para fazer parte do PCB é preciso estar organizado numa base ou célula partidária. A base ou célula são o centro de gravidade do partido, a sua razão de ser, as unidades básicas de que toda a organização depende. São uma espécie de modelo reduzido do próprio partido, possuindo – dentro de seu espaço de atuação – as diversas funções do todo partidário. Elas são o partido organizado em espaços comuns de atuação e luta (a fábrica, a empresa, o bairro, a escola, os movimentos sociais). As bases têm a finalidade de ligar o partido às massas, num sentido de mão dupla. De um lado, devem participar da vida das massas, procurando levá-las a conhecer, assimilar e pôr em prática a linha política do partido. De outro lado, devem recolher delas suas experiências, reivindicações e tendências, para capacitar o partido a elaborar propostas políticas justas para as necessidades do seu tempo.

As organizações de base devem ser organismos dinâmicos e criativos. Toda base deve ter um plano de ação, com objetivos e prazos a serem atingidos e a definição de responsabilidades. Nelas, os militantes discutem a política do partido, analisam a realidade da área de sua atuação, elaboram os planos de ação, opinam sobre os documentos e resoluções partidárias, exercendo o direito à critica e à autocrítica. E é assim que funciona o princípio maior da organização comunista: o centralismo democrático. Nos processos congressuais e nas conferências para debater a linha política, a tática e a estratégia de ação do partido, os militantes discutem exaustivamente as propostas até chegarem a um consenso ou a uma posição majoritária. Construída esta posição, adotada coletivamente como resultado de um amplo processo democrático de participação nas decisões, o conjunto do partido deve se empenhar para pôr em prática aquilo que foi decidido, de forma unitária e coesa. Todas as decisões, mesmo relativas a questões cotidianas, são adotadas desta forma: coletivamente. Mas somente a prática política disciplinada e unitária é capaz de fazer do partido um grupo homogêneo, pronto para assumir as tarefas necessárias ao desenvolvimento dos grandes embates políticos e sociais e da luta maior em prol da revolução socialista.
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O que defende hoje o PCB?
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Conforme aprovado pelo XIV Congresso Nacional do PCB, realizado em outubro de 2009, objetivo central da ação dos comunistas é a superação do modo de produção capitalista e a constituição de uma sociedade socialista. A revolução socialista é um processo histórico e complexo que não pode ser entendido como linear. É composto de elementos diversos e sujeito às condições objetivas e subjetivas de cada formação social, à luz da conjuntura nacional e internacional e de sua evolução. O triunfo do socialismo não é um fato que acontecerá de forma natural ou inexorável, como afirmam algumas leituras mecanicistas da obra de Marx, mas sim uma possibilidade histórica que deve ser construída.
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Na luta para fazer afirmar a hegemonia política do proletariado, entendemos ser necessária a construção do Bloco Revolucionário do Proletariado, reunião das forças políticas e sociais que almejam dirigir os trabalhadores brasileiros para a derrubada do capitalismo por meio da revolução socialista. Nossa estratégia, portanto, é a revolução socialista. São as massas que fazem a revolução, no sentido mais amplo da superação do capitalismo pelo socialismo, e não propriamente o partido. Mas a revolução não acontecerá sem um partido revolucionário a liderá-la, o que pode se dar em conjunto com outras forças e organizações políticas revolucionárias que configurem o Bloco Revolucionário.
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A organização dos trabalhadores inclui formas de organização popular direta, nos bairros, no campo e em grandes movimentos urbanos de massa e a luta pelo aprimoramento da organização sindical, com a construção de grandes sindicatos por ramo de produção, a proposição de greves gerais com a participação de todos os trabalhadores, do proletariado precarizado, dos partidos de esquerda e de outras organizações sociais, e a utilização de vias não institucionais para a luta revolucionária. Além disso, a luta pela hegemonia das ideias socialistas e comunistas compreende a utilização de todas as formas disponíveis e todos os espaços políticos aos quais tenhamos acesso para difundir e desenvolver as ideias políticas socialistas e comunistas e para promover a denúncia contumaz e radical do capitalismo.
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Acesse também:
A construção de uma alternativa de poder que se apresente como uma contraposição ao poder burguês somente será efetiva se conseguir mobilizar as classes exploradas, com um programa capaz de produzir uma ruptura na ordem capitalista. Esta contraposição se materializa no Poder Popular, que possui um caráter estratégico – ao se transformar numa espécie de poder paralelo ao Estado burguês e no futuro núcleo de poder proletário rumo ao socialismo. Possui também um caráter tático, ao dar suporte para as lutas unificadoras do movimento operário e popular.
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A tática do PCB se pauta pela construção de uma Plataforma Comunista, composta de um programa e de uma proposta de organização popular. O principal ponto deste programa é a formação de uma Frente Política Anticapitalista e Anti-imperialista, que tenha caráter permanente, não se tratando de uma frente eleitoral. Esta Frente deve ser composta por partidos, organizações, movimentos e personalidades que se oponham à política dos governos capitalistas e lutem pelas transformações necessárias para fazer valer os interesses dos trabalhadores brasileiros. A Frente deve ter o papel de aglutinar o movimento operário e popular em torno de bandeiras gerais e específicas, sendo também um polo de ação institucional, conformando, assim, uma alternativa às propostas liberais, socialdemocratas, nacionaldesenvolvimentistas, dentre outras que correspondam aos interesses e às representações da burguesia.
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A teoria marxista
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Baseamo-nos na teoria social elaborada, inicialmente, por Karl Marx e Friedrich Engels, no século XIX (época de grandes lutas operárias contra a exploração promovida pelo capitalismo, que vivia seu processo de consolidação no mundo) e continuada, no século XX, por Lênin, Rosa Luxemburgo, Gramsci, Lukács e outros grandes militantes das lutas anticapitalistas de seu tempo. Estes autores revolucionários deram forma a uma nova concepção de mundo, concebida através da análise crítica e consciente da realidade existente e da intervenção ativa na história, construindo assim o instrumental teórico necessário ao enfrentamento à concepção de mundo dominante, que está a serviço dos interesses e necessidades da burguesia e da expansão contínua do capitalismo.
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Segundo Marx, a teoria somente se transforma em poder material quando é apoderada pelas massas, isto é, uma ideia só se realiza plenamente se é abraçada pelo movimento social concreto e se configura em ação prática transformadora. O papel básico do partido comunista é contribuir para a elevação da consciência de classe dos trabalhadores, agindo na organização das lutas e na propaganda socialista em contraponto ao modelo de sociedade capitalista. A disputa ideológica que o Partido Comunista promove visa, entre outros, superar os marcos dos interesses puramente imediatos, economicistas, corporativos, para o nível da visão global da realidade, forjando, desta feita, a visão de mundo transformadora, capaz de hegemonizar um projeto político de construção da sociedade socialista.
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Lênin já dizia que a consciência socialista não brota espontaneamente das lutas populares e nem da indignação particular de uma parte do proletariado. Por isso destacava a importância do partido revolucionário e dos militantes comunistas para dirigir e orientar as massas revoltadas com as desigualdades e injustiças provocadas pelo sistema capitalista em uma mobilização consciente em prol do socialismo, como única alternativa capaz de solucionar os problemas vividos pela classe trabalhadora.
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Não se pode prever de antemão quando eclodirá em algum lugar a verdadeira revolução proletária e qual será o motivo principal que despertará e lançará à luta as grandes massas, hoje ainda presas na corrente da alienação. Mas não podemos ficar esperando este momento, como se a revolução, além de necessária, fosse inevitável. O partido deve estar sempre preparado, no presente, de olho no futuro. Os requisitos fundamentais para o êxito desta empreitada são uma linha política correta, uma direção unida, além de organizações de base e militantes capazes e enraizados nas massas.
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Uma história de lutas
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A trajetória do Partido Comunista Brasileiro está indelevelmente marcada na própria história do Brasil. Nossa organização sempre se destacou por atrair para suas fileiras os mais importantes dirigentes das lutas dos trabalhadores e representantes da intelectualidade e da cultura brasileira.
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Quando se tornou um verdadeiro partido de dimensões nacionais, no período entre o imediato pós-guerra (1945) até o golpe que implantou a ditadura empresarial-militar em 1964, o PCB no partido que agregou praticamente toda a esquerda brasileira, unindo o mundo do trabalho com o mundo cultural. Intelectuais do porte de Astrojildo Pereira, Octávio Brandão, Caio Prado Jr., Graciliano Ramos, Nélson Werneck Sodré, Oduvaldo Viana Filho (Vianinha), Paulo Pontes, dentre outros, participavam de um extenso aparato político-cultural (jornais, revistas, livros, associações culturais, etc), que, associado às organizações mais ligadas às lutas diretas dos trabalhadores e da juventude (sindicatos, ligas camponesas, imprensa operária, Comando Geral dos Trabalhadores, União Nacional dos Estudantes e outras), compunham uma grande rede de instituições que tinham nas camadas proletárias o sujeito real da intervenção social. O PCB exercia, naquele tempo, grande influência junto às organizações populares que lutavam contra o poder do latifúndio, a grande empresa capitalista e a ação do imperialismo em nosso país. O golpe de 1964 abateu-se de forma violenta contra os comunistas e demais forças democráticas e progressistas, interrompendo a ascensão do movimento de massas no Brasil por longos vinte anos.
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Se a história do PCB foi marcada por uma sistemática repressão, que o compeliu à clandestinidade por mais da metade de sua existência e que entregou ao povo brasileiro boa parte de seus maiores heróis do século XX, nem por isto o PCB foi um partido marginal. Ao contrário: da década de 1920 aos dias atuais, os comunistas, com seus acertos e erros, mas especialmente com sua profunda ligação aos interesses históricos das massas trabalhadoras brasileiras, participaram ativamente da dinâmica social, política e cultural do país.
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Desde 1992, quando um grupo de liquidacionistas, comandado por Roberto Freire (hoje no PPS, legenda auxiliar do PSDB e dos governos burgueses de direita), tentou acabar com o PCB, na esteira da crise mundial vivida pelo socialismo (queda do muro de Berlim e derrocada da União Soviética), vivemos um processo de reconstrução revolucionária de nosso Partido. Nos últimos anos temos intensificado o trabalho de estruturação interna do Partido e de sua inserção nos movimentos de massa. Através, principalmente, do movimento sindical e estudantil e da participação nas entidades representativas, o Partido afirma a centralidade do trabalho e a necessidade da revolução social de matiz socialista. É através deste trabalho, também, que o partido vem recrutando e formando novos militantes e formulando sua intervenção junto às massas.

Fonte: PCB


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20 de jul. de 2011

Modelo para SP, e outros estados, bônus para docente em NY é cancelado

Escolas do projeto não tiveram desempenho superior às demais, mostrou estudo
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Rede paulista adota programa de metas desde 2008; neste ano, foram investidos R$ 340 milhões
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FÁBIO TAKAHASHI

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Uma das inspirações para a rede de ensino paulista e de outros Estados, o programa de Nova York de pagamento de bônus por desempenho a professores será cancelado.
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A decisão foi anunciada nesta semana, após estudo indicar que escolas participantes não tiveram desempenhos superiores às que ficaram fora. A pesquisa analisou os dados dos colégios desde o início do projeto (2007-2008).
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O modelo de Nova York é semelhante ao da rede estadual de São Paulo, de 2008: são estabelecidas metas para cada escola, em que há grande peso para desempenho dos alunos nas avaliações; os profissionais dos colégios que alcançam o objetivo recebem dinheiro adicional.
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O estudo em Nova York aponta que o sistema não mudou as práticas docentes. Uma das conclusões é que o professor que recebe bônus entende que apenas foi recompensado pelo esforço que sempre teve -e não que tenha buscado melhorar.
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“A medida lá certamente terá impacto aqui. As redes vão parar e pensar”, diz Maria Helena Guimarães de Castro, secretária de Educação da gestão José Serra (PSDB), responsável pela adoção da medida em São Paulo.
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Neste ano, a rede paulista pagou bônus a servidores de 70% dos seus colégios, num gasto de R$ 340 milhões.
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Maria Helena afirma que ainda precisa analisar melhor a decisão tomada em Nova York. “Outras redes, como a de Washington, reforçaram a política de bônus.”
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A Secretaria da Educação de SP afirmou, em nota, que estuda aperfeiçoar seu sistema, que poderá considerar o esforço de cada escola e aspectos socioeconômicos.
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O secretário estadual de Educação do Rio, Wilson Risolia, disse que, antes de implementar a política, a pasta revisou estudos para verificar erros e acertos. “Esse de Nova York diz que muitos professores não entenderam como o bônus é distribuído. Nós fizemos decreto, resolução e cartilha explicando.”
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FIM DO BÔNUS
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Coordenadora do Instituto Ayrton Senna, Inês Kisil Miskalo diz que o pagamento por bônus deve ser abolido, para que os recursos sejam canalizados a outras ações. “É mais importante dar condição ao professor para ele ler, ir ao teatro, fazer um bom curso.”
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“A ideia de que o sistema de incentivos pode ser decisivo por si só sempre me pareceu otimista demais”, diz o economista e especialista em educação Gustavo Ioschpe. Para ele, o foco deve ser melhorar o preparo do docente.
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Colaborou a Sucursal do Rio
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Fonte:FSP

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